Número de vereadores trans triplica em relação à eleição passada e chega a 23

As Câmaras Municipais espalhadas pelo país terão um aumento de representatividade a partir da legislatura que começa em 2021. Vinte e três candidatos transexuais, em sete diferentes estados, foram eleitos vereadores — número que triplicou em relação à eleição passada.

De acordo com monitoramento da Aliança Nacional LGBTI+, o grupo é composto por um homem trans e 22 mulheres trans ou travestis. A maioria foi eleita pelo PSOL, PT, PDT e MDB, todos com quatro representantes. Mas há também quem se elegeu por siglas de direita, como PL, PSDB e Democracia Cristã. Uma outra conquista foi que, pela primeira vez, eles tiveram seus nomes sociais inscritos nas urnas. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, foram 171 candidaturas em todo o Brasil.

Entre os eleitos está Caroline Iara Ramos de Oliveira (PSOL),  primeira mulher intersexo, transexual e vivendo com HIV a compor a Câmara Municipal da cidade de São Paulo. Nascida em Fazenda da Juta, em Sapopemba, extremo leste da cidade de São Paulo, a cientista social e assistente de políticas públicas da Secretaria Municipal de Saúde, Caroline Iara Ramos de Oliveira, de 27 anos avalia sua eleição como histórica: — É um fato histórico e uma mudança no sentimento das pessoas. O eleitorado agora está aberto a trocar experiências sobre a diversidade humana. Sofri mutilação genital na infância e muita descriminação na adolescência pela minha ambiguidade sexual. Por isso, conseguir chegar até uma casa legislativa é um marco pessoal e também reparação. E mais importante ainda é essa experiência estar atrelada a um movimento político e coletivo da bancada feminista do PSOL — diz.

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